O que é interseccionalidade?

Interseccionalidade é um conceito amplamente discutido pela comunidade científica que rompeu barreiras e está sendo, de certa forma, decodificado, com o objetivo de que mais pessoas possam compreendê-lo.   

Em síntese, o termo tenta compreender as desigualdades sociais considerando atravessamentos, tais como raça, classe e gênero, que vão acabar singularizando determinadas vivências dentro do sistema opressor em que vivemos.  

Afinal, é unânime a noção de que vivemos em uma sociedade extremamente desigual e punitiva para determinados grupos. 

A verdade é que explicar o que é interseccionalidade não é uma tarefa fácil, ainda mais quando existe um número limitado de palavras. Inclusive, considerar o conceito como “dado” até o final deste texto seria ir de encontro à profundidade que a discussão propõe. 

Assim sendo, faremos uma espécie de recorte. Ou seja, vamos abordar o que significa interseccionalidade, centralizando a questão da raça, com a ajuda do conhecimento da militante, autora e pesquisadora, Carla Akotirene.

A partir deste recorte, vamos abordar sobre o surgimento do termo e a importância dele, acima de tudo, na complexidade em que exige compreender a  desigualdade social. 

Dessa maneira, o objetivo aqui é que este texto sirva como uma faísca para acender a chama do seu interesse no assunto. Para aprofundar-se, você precisará de livros, tais como Mulheres, Raça e Classe e Interseccionalidade, escritos por Angela Davis e Patricia Hill Collins, respectivamente. 

Como surgiu o conceito de interseccionalidade?

No início dos anos 90, mais precisamente em 1989, a professora especializada em questões de raça e gênero, Kimberlé Crenshaw, foi responsável por cunhar o termo. Por esse motivo, ela é considerada a mãe da interseccionalidade. 

Isso ocorreu depois que Crenshaw percebeu que há uma confluência entre identidades sociais. Segundo ela, quando isso ocorre, a “discriminação assume características singulares”, afirma o Colab Blog

Para deixar o termo um pouco mais claro, é importante mencionar que ela o formulou após conhecer a história de uma mulher americana que não conseguiu processar uma empresa por dois tipos de discriminação: ser mulher e ser negra. 

Ou seja, no caso dessa senhora, de nome desconhecido, o reforço à desigualdade social foi atravessado, não apenas pelo fato dela ser mulher, mas por ser negra, e acabou formando uma espécie de soma de opressões sociais. 

No entanto, como menciona Carla Akotirene em seu livro, a interseccionalidade não serve para quantificar as opressões e, sim, colocá-las em uma encruzilhada e entender de que forma essas estruturas atravessam o sujeito. Àquele, que encontra-se no meio. 

Já que mencionamos Akotirene, apesar dela tensionar o conceito cunhado por Kimberlé Crenshaw, é importante dizer que outras feministas negras, como Sojourner Truth, Angela Davis e Lélia Gonzalez,  de certa forma, antecederam a discussão. 

Por fim, chegou a hora de utilizá-la para deixar o assunto mais 

explícito. 

Interseccionalidade: Carla Akotirene

Em seu livro “Interseccionalidade”, lançado em 2018, ela faz inúmeros apontamentos relevantes. Um deles é sobre o termo “interseccionalidade” ter nascido a partir da necessidade das feministas negras enxergarem suas pautas no movimento feminista.

Afinal, o que chegava até elas era uma teoria feminina branca, eurocêntrica, que o movimento feminista abarcava. Por consequência, pautas políticas acabavam concluindo como a “necessidade de todas as mulheres”. Só que no feminismo, há diversas pluralidades. 

Há dois exemplos que podem ser utilizados. Enquanto as brancas lutavam para trabalhar, as mulheres pretas lutavam por condições menos nefastas de trabalho. Enquanto a liberdade sexual das branca era discutida; a solidão da mulher preta era desconsiderada.  

A partir desses exemplos, é compreensível concluir que uma mulher branca, hétero e de classe média, mesmo em uma sociedade patriarcal, possui determinados privilégios. 

Um outro exercício é você se imaginar em uma encruzilhada: quais opressões oriundas do sistema atravessariam a sua existência?

Qual a importância da interseccionalidade?

Akotirene resume a importância da interseccionalidade de uma forma extremamente pragmática e valorizando sua ancestralidade: “é uma oferenda analítica preparada pelas feministas negras”, conforme o Casé Fala

Em outras palavras é propor constantemente a desconstrução da noção de que um oprimido não é capaz de se tornar opressor. É reforçar a ideia de quem luta contra apenas uma opressão, fortalece outras. 

Além disso, a interseccionalidade coloca, mesmo que de forma sutil, a luta pela igualdade de gênero como algo muito mais próximo do distópico do que do utópico. E faz isso considerando o sistema social que opera atualmente. 

Veja bem, se estamos inseridos em uma sociedade heteronormativa, racista e capitalista, será que esses três sistemas vigentes vão permitir que alguma mudança social ocorra, sendo que, por definição, eles lutam para garantir o oposto?

Quer dizer, será que há como falar de igualdade de gênero, sendo que mulheres brancas, negras e indígenas possuem necessidades distintas? Será possível imaginar um mundo que considera brancos e negros como iguais, sendo que o Brasil sustenta um racismo estrutural?

Em síntese, falar sobre interseccionalidade é, sem dúvida, sair da zona de conforto. É praticar a empatia, de certa forma, adquirir conhecimento, pensar sobre e construir uma visão crítica sobre o mundo. É uma constante provocação; algo mais ou menos assim:

Se você se autointitula uma feminista que luta apenas por pautas que lhe convém, talvez você esteja apenas garantindo o seu bem-estar e reproduzindo um papel de opressora.

Pense sobre isso! E aproveite para ler Mulheres importantes: conheça a história de Rosa Parks e de que forma ela contribuiu para o mundo.

Até a próxima!

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