Alguém pode estar sofrendo de disforia de gênero próximo a você: entenda o que é e como ajudar

A disforia de gênero ocorre quando há uma dissociação entre como uma pessoa se enxerga e como ela, de fato, se sente. Isto é, estamos falando da diferença entre anatomia (partes genitais) e identidade de gênero. Esse conceito foi impulsionado pela teoria Queer e compõe o movimento LGBTQIAP+.  

No entanto, qual a relação entre disforia de gênero e menstruação? Em primeiro lugar, é preciso dizer que o objetivo do texto não é falar sobre transtorno disfórico menstrual ou disforia de imagem - ambos assuntos importantes, mas que tratam de coisas diferentes.

Através das próximas linhas, vamos tensionar a seguinte discussão: a menstruação não é sinônimo de feminilidade, bem como não é um fator decisivo para identificar uma mulher. 

Afinal, como seres humanos de raça, classe e sexualidade diferentes, somos atravessados por diversas questões, conforme propõe o conceito de interseccionalidade.

Para tanto, vamos voltar algumas casas, digo, alguns parágrafos, e explorar o que é disforia de gênero, tal como dois termos da sigla LGBTQIAP+: a pessoa que identifica-se como não-binário e a pessoa trans.

O que é disforia de gênero?

O primeiro passo para entender disforia de gênero é compreender que existem pessoas trans que, ao se olharem no espelho, não se enxergam conforme o sexo que lhes foi designado ao nascer. É como se elas estivessem habitando o corpo de outra pessoa. Em suma, nascem mulher ou homem, mas sentem-se homem ou mulher.

Há, também, pessoas não-binárias, que renegam viver na limitação homem versus mulher e, tanto socialmente, quanto consigo mesmas, não se apegam a nenhum simbolismo trivial que sustente essa dicotomia. Ou seja, vestem-se e agem de maneira neutra. 

Todavia, para atingir o objetivo do texto, focaremos em um sujeito que, antes de qualquer classificação (não-binária ou trans), sofre com disforia de gênero. Também focaremos em uma pessoa que nasceu com genitália feminina, mas identifica-se com o gênero masculino; com a construção social masculina. 

Se essa pessoa ainda não realizou nenhuma intervenção médica, como redesignação sexual, mastectomia e não toma anticoncepcional, ela possui todo o sistema reprodutor feminino, correto?

Logo, ela tende a esconder os seios, sente-se desconfortável em roupas que estão “de acordo com seu sexo”, fogem de símbolos que caracterizam uma mulher ou homem socialmente e, por consequência, o ciclo menstrual é um verdadeiro pesadelo.

Ademais, sabe a história de abraçar o seu eu feminino, tantas vezes abordada por aqui? No geral, não há a menor possibilidade disso ocorrer. Afinal, para ela, a menstruação é um fardo; não uma oportunidade de autoconhecimento. 

Em outras palavras, o ciclo menstrual torna-se uma chance para a sociedade reforçar a ideia de que, sim, ela é uma mulher, mesmo quando não se sente uma - uma chance para exercer o velho e violento preconceito. 

Disforia de gênero e menstruação

Revisto o conceito do que é ser uma pessoa trans ou não-binária, você já pode imaginar que a menstruação torna-se um problema por ser algo biológico. Afinal, é um fator que não permite que elas vivam sua identidade de gênero, que possui relação com a postura social.  

Nesse sentido, a inovação na indústria da produção de absorventes foi, não apenas revolucionária, como inclusiva. Isso porque, durante a menstruação, produtos internos, tais como o disco menstrual e o coletor menstrual, são alternativas que não violentam tanto a forma como o homem trans e a pessoa não-binária se sentem.

Ou seja, por serem internos, a pessoa pode performar sua identidade de gênero sem desconforto, sem o temor de que a menstruação vaze ou o absorvente, seja descartável ou reutilizável, apareça.

Outros sintomas relacionados ao ciclo menstrual, como a cólica, podem ser combatidos sem que a pessoa precise enfrentar a seção rosa da farmácia, como o banho de assento.

Dito isso, se você se relaciona com uma pessoa trans ou não-binária, passe essas informações a ela. Ademais, siga as dicas abaixo: 

Como tornar-se uma aliada?

O primeiro passo, provavelmente o mais importante, é compreender que disforia de gênero não é doença. Sim, é assustador o número de pessoas que ainda reproduzem essa ideia. 

Inclusive, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou, em 2018, da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 11), os transtornos de identidade de gênero do capítulo de doenças mentais.

“Com a mudança, o termo passa a ser chamado de incongruência de gênero, e está inserido no capítulo sobre saúde sexual”, conforme esclarece a Unaids.

Portanto, exerça a empatia, procure informar-se para não reproduzir ideias medievais e preconceituosas e, de uma vez por todas, esteja aberta ao fato de que existem inúmeras formas de existir; cada uma com sua singularidade.

Um outro ponto importante é desconstruir a ideia de que menstruação está vinculada à feminilidade ou ao fato de ser mulher. Se assim fosse, no momento em que uma mulher cisgênero (sexo biológico e identidade de gênero estão em concordância) tomasse uma pílula anticoncepcional, ela deixaria de ser mulher. 

Quer dizer, não faz sentido algum quando paramos para refletir, nem que seja de maneira breve. 

Por fim, procure agir em prol de pessoas trans e não-binárias quando ouvir que disforia de gênero é uma doença mental. Afinal, nós não precisamos ser uma pessoa trans ou não-binária para fazer parte do movimento LGBTQIAP+ e evitar que o preconceito se espalhe, bem como não precisamos ser pretas para combater o racismo

E aí, gostou da reflexão? Aproveite para ler “É possível um homem engravidar? Conheça como é a gravidez de um homem trans” ou explorar o blog da Fleurity que está repleto de conteúdos interessantes.

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