Descubra quem foi a responsável por criar o Dia Internacional da Mulher

Muito se fala da história sobre o dia 8 de março, mas pouco se fala sobre quem criou o Dia Internacional da Mulher, não é mesmo? Assim sendo, guarde esses nomes: Clara Zetkin e Luise Zietz, duas líderes socialistas alemãs. 

Foram elas que, em agosto de 1910, durante a Conferência Internacional das Mulheres, em Copenhague, na Dinamarca, propuseram a criação de uma data internacional.

Todavia, elas não estipularam um dia específico, de acordo com a revista Super Interessante. Ou seja, apenas sugeriram que houvesse uma celebração internacional, inspirada no Dia Nacional da Mulher, comemorada em 28 de fevereiro de 1908, liderado pelo Partido Socialista dos EUA.

A ideia de Clara Zetkin e Luise Zietz não foi totalmente descartada, uma vez que dois anos depois, países como Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça decidiram comemorar o Dia Internacional da Mulher em 19 de Março.

E o mais importante, o povo abraçou a causa. A data estipulada pelos países de Primeiro mundo levou homens e mulheres às ruas reivindicando pautas  em relação ao voto feminino, ao direito de trabalhar e não serem discriminadas. 

  • Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil
  • Dois anos depois, em 1913, outra pauta entrou em questão no Dia Internacional da Mulher, ainda comemorado no dia 19 de março: o clima de conflitos que prenunciava a 1ª Guerra Mundial. É aí que o 8 de março entra na história - e a Rússia também. 

    Isso porque foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano utilizado pela Rússia), que 90 mil operárias manifestaram-se contra Czar Nicolau II,  em relação "às más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz"”, segundo a Nova Escola.

    Após o povo russo, em conjunto com o exército, terminarem com a dinastia Romanov (última dinastia imperial), o 8 de março tornou-se unanimidade. Todavia, somente em 1977, ou seja, 60 anos depois, a  Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres.

    Ou seja,  quem criou o Dia Internacional da Mulher foi, de certa forma, Clara Zetkin e Luise Zietz, tal como várias mulheres anônimas russas.

    25 de julho, Dia da Mulher Negra

    Além do tradicional 8 de março, há uma outra data dedicada às mulheres, criada em 2014. Não, não estamos falando sobre o Dia da Consciência Negra, estamos nos referindo ao dia 25 de julho, Dia da Mulher Negra ou, simplesmente, Dia Nacional de Tereza de Benguela. 

    Criada a partir do Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha, comemorado no dia 31 de julho, desde 1992, trata-se de uma celebração a partir de uma perspectiva menos eurocêntrica, mais “abrasileirada”. 

    A data foi sancionada há pouco tempo no Brasil, através da Lei nº 12.987/2014, pela ex-presidenta Dilma Rousseff. Por esse motivo, ela não leva o nome “Internacional” e possui uma líder quilombola brasileira (Tereza de Benguela) como referência. 

    E, a essa altura, você pode estar se perguntando por qual motivo existem duas datas para celebrar a (re)existência de mulheres na sociedade.  

    A resposta não é simples, mas, em síntese, um dos fatores pode ser dedicado ao fato de que mulheres brancas e negras não possuem o mesmo histórico social. Por consequência, lutam por pautas diferentes.

    Prova disso são os fatos históricos que foram relatados no início do texto. Ou seja, quem criou o Dia Internacional da Mulher foi Clara Zetkin, em conjunto com Luise Zietz, em torno de 1910, correto?

    Ou seja, foram duas mulheres brancas que defendiam o direito das mulheres no âmbito trabalhista e no movimento sufragista. No entanto, nessa mesma época, o Brasil completava apenas 22 anos da abolição da escravatura. 

    Em termos culturais, 22 anos é pouquíssimo tempo para uma mudança radical social. Isso significa que, em 1910, as mulheres negras sequer tinham voz, muitas não eram letradas e nunca pararam de trabalhar. Inclusive, muitas ainda em condições de escravatura. 

    Em outras palavras, as pautas não eram as mesmas. E até hoje não são, pois os resquícios da escravidão estruturam o Brasil. Segundo a OXFAM Brasil, “mulheres negras ainda recebem menos da metade do salário de homens e mulheres brancas no Brasil, independente da escolaridade”. 

    Assim sendo, 25 de julho, Dia da Mulher Negra, é um símbolo de resistência para as mulheres pretas, que enfrentam diariamente uma sociedade indubitavelmente racista e machista. 

    Quem foi Tereza de Benguela?

    Tereza Banguela divide o 25 de julho, Dia da Mulher Negra, não por acaso. Assim como Dandara dos Palmares, Aqualtune, Luísa Mahin e tantas outras mulheres importantes, é um símbolo de resistência à escravidão no Brasil Colônia.

    Por conta das rupturas da história, o local de seu nascimento é desconhecido, mas sua história foi resgatada e ela tornou-se uma “rainha que liderou um quilombo de negros e índios”, conforme resume a Biblioteca do CECULT.

    No entanto, sabe-se que Tereza viveu no século XVIII e formou uma família com José Piolho, o qual chefiava o Quilombo do Piolho onde, hoje, localiza-se a fronteira entre o Mato Grosso e a Bolívia. 

    Depois de enfrentar a morte do marido, assassinado por soldados do Estado, Tereza tomou a liderança do quilombo no qual vivia e resistiu à escravidão por duas décadas. Conforme resgates históricos, era conhecida por sua visão estratégica e vanguardista. 

    Por consequência, durante o tempo em que liderou o Quilombo do Pilho, abrigou mais de 100 pessoas, entre índios e negros, e tornou-se a “rainha Tereza” entre aqueles que protegia. Entre suas habilidades, destacavam-se suas articulações políticas, econômicas e administrativas, bem como o seu conhecimento em relação ao cultivo de algodão, milho, banana, entre outros produtos. 

    Tratando-se de sua morte, não se sabe exatamente o que aconteceu, mas há rumores de que foi por volta de 1770. 

    Contudo, sua existência é tão aclamada que, muito antes de 25 de julho, Dia da Mulher Negra também se tornar o Dia de Tereza Benguela, a escola Unidos da Viradouro, em 1994, a transformou em um samba enredo, intitulado “Uma Rainha Negra No Pantanal”. 

    Por que celebrar o Dia Internacional da Mulher?

    Seja no dia 8 de março e/ou 25 de julho, é essencial que existam datas para celebrar a existência da Mulher na sociedade. E não (apenas) como forma de celebrarmos nossa feminilidade. Mas, como forma de refletirmos sobre nossas conquistas sociais, frente a uma sociedade patriarcal

    Inclusive, a luta não é só de fora para dentro. Ou seja, de comemorarmos conquistas na esfera social. Nós, mulheres, precisamos exercer a autocrítica, desconstruir nossos próprios pensamentos machistas, arraigados em nossa construção psíquica. 

    Um exemplo desses pensamentos é o de que a menstruação é uma condição biológica que nos limita. Em outras palavras, algo ruim, que nos torna fracas e “sensíveis demais” durante a nossa trajetória. 

    Pelo contrário, a menstruação, bem como a TPM, é uma forma de que o nosso corpo possui de colocar a nossa existência em contato com a natureza, com a forma que estamos nos sentindo de verdade, com o que há de mais legítimo. 

    Em linhas gerais, é um momento de abraçar o seu eu feminino.

    Um outro ponto importante, ainda em relação a desconstruir visões machistas sobre nós mesmas, é que devemos odiar outras mulheres, apenas pelos fato de que elas compartilham o mesmo sexo biológico que o nosso -principal discussão da sororidade.   

    Enfim, comemorar o Dia Internacional da Mulher é uma chance que temos de nunca subjugar o papel de ser resistência, de celebrarmos mulheres que mudaram a história e, acima de tudo, alterarmos o curso das nossas próprias concepções. 

    E, lembre-se, você nunca estará sozinha nessa caminhada. Sempre conte com a Fleurity para isso! 
    E aí, curtiu o texto? Então, aproveite para ler Mulheres e meninas na ciência, um dia para celebrar e vários outros textos do blog que ajudam você a ser uma mulher mais livre.

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